Reconstrução mamária pós-câncer  


A mastectomia (retirada da mama) poderá ser feita total ou parcialmente, ou seja, de forma radical ou conservadora.

A diferença básica entre o tratamento conservador e o radical é a preservação da mama, significando qualidade de vida, seguindo o tratamento correto da doença, sem comprometer o índice de cura. A tendência de conservar a mama após o diagnóstico do câncer se iniciou em 1928.

Veronesi, em 1994, foi o responsável pela divulgação quanto à possibilidade de conservar a mama após o diagnóstico do câncer sem comprometer a sobrevida dos pacientes, através de um estudo de 19 anos de acompanhamento.

A preservação da mama, no entanto, não é, por si só, uma garantia de bons resultados estéticos e, por essa razão, muitas vezes torna-se necessário algum método cirúrgico de reparação. Quando a mastectomia é total, a reparação poderá ser feita de imediato ou em seis meses depois, sem interferir no resultado estético, pois a mama foi toda retirada e a reconstrução será total. Uma nova mama será reconstruída a partir de um tecido trazido de outra região do corpo (costas ou abdômen).

No entanto, quando a mastectomia é parcial ou conservadora, muitas vezes torna-se obrigatório uma reconstrução imediata, pois se feita tardiamente, poderá comprometer o resultado estético final.

Acredito que quando a mastectomia é parcial seja mais fácil avaliar o defeito real no ato operatório, medindo o tamanho e a espessura do tecido que foi retirado sem efeitos de retração provocados pela cicatrização ou radioterapia, que será iniciado após a terceira semana. Nesse momento, temos também a possibilidade, quando necessário, de realizarmos uma mamoplastia na mama oposta para igualar as mamas, o que torna o resultado final muito satisfatório.

As deformidades decorrentes de tratamento conservador da mama, quando não é feita uma cirurgia reconstrutora de imediato, não são raras e podem chegar a 30%. Por isso, fala-se que a opção por um tratamento conservador não garante um bom resultado estético.

Benino e Col, em 1987, padronizaram e classificaram os tipos mais comuns de deformidades pós-cirurgia conservadora com tratamento do câncer de mama.

Tipo Características
I Distorção da aréola e mamilo
II Deficiência localizada de pele
III Deficiência de glândula (diminuição do volume ou tamanho)
IV Retração da mama
V Mama severamente irradiada


Reconstrução com retalho miocutâneo do músculo grande dorsal
A área doadora de tecido é as costas, porém é necessário associarmos uma prótese de silicone para dar volume à mama.
Clique para ver a animação

Reconstrução com retalho miocutâneo do músculo reto abdominal
Independente se optarmos pelo abdômen ou pelas costas, a reconstrução é feita em duas etapas. Na primeira, fazemos apenas o preenchimento do defeito deixado pela mastectomia. Na segunda etapa, a mama é reconstruída e acertamos a mama como numa mastoplastia normal, colocando aréola e mamilo. Assim, a segunda etapa é um refinamento para que as mamas fiquem semelhantes.
Clique para ver a animação

Mastectomia parcial
Utiliza-se tecido da própria mama para reconstrução da deformidade e, ao mesmo tempo, faz-se a mamoplastia na mama contralateral. O que influencia no resultado final quando a mastectomia é parcial é a localização do tumor e o tamanho das mamas.
Tumores localizados abaixo da aréola proporcionarão resultados estéticos favoráveis. A lesão a ser retirada corresponderia a uma área semelhante a da mamoplastia redutora.
Tumores acima da aréola deixarão cicatrizes mais visíveis, pois não poderão ser disfarçadas. Tumores próximos à aréola também proporcionam bons resultados, desde que a pele da mama ao redor da mesma seja preservada.

Perguntas frequentes

1) Qual é o fato que influencia na qualidade da reconstrução quando a mastectomia é parcial ou conservadora?
2) Poderemos usar a prótese de silicone para reconstrução após a mastectomia parcial ou conservadora?
3) Quando fazer a reconstrução?


  • Procedimentos pós-cirurgia
Quando a mastectomia é parcial, as orientações pós-operatórias correspondem a uma plástica de mama, visto que apenas as mamas foram abordadas.Quando a mastectomia é total, as orientações de pós-operatório correspondem a de uma plástica de mama e de abdômen (quando o mesmo for utilizado como área doadora na reconstrução).

Obs: De acordo com a Resolução Federal de Medicina nº 1.701/2003 é vedado ao médico expor figura de paciente ainda que com autorização expressa do mesmo.

 
Tel: 27 3325.0784
Fax: 27 3227.7744
Rua Celso Calmon, 206
Praia do Canto - Vitória - ES