É a cirurgia que retira a pele e gordura do abdômen localizado entre a cicatriz umbilical e o púbis. Nesse procedimento, é feita também a sutura para unir os músculos retos abdominais que geralmente estão afastados por gravidez prévia. A plástica abdominal poderá ser associada a uma lipoaspiração das laterais e região supraumbilical para melhorar o contorno corporal.
Cuidados pré-cirúrgicos
O conhecimento e o entendimento das informações abaixo mencionadas são importantes antes da realização de qualquer cirurgia plástica. Essas informações poderão servir como um "manual de orientações", caso você venha a se operar, recordando-lhe as instruções fornecidas durante a primeira consulta.
As condutas serão conduzidas de acordo com os princípios éticos básicos de respeito pelo ser humano, de minimização de resultados insatisfatórios ou não desejados, dentro de uma atitude adequada e cientificamente aceita.
Existem alguns fatores na evolução da cirurgia que não dependem da atenção do cirurgião plástico, e, portanto, "não lhe será possível garantir resultado". Assim, por exemplo, a qualidade de cicatrização que o paciente irá apresentar está intimamente ligada a fatores hereditários e hormonais, além de outros elementos, que poderão influenciar no resultado final de uma cirurgia, sem que o cirurgião possa interferir. Como resultado da cirurgia existirá uma cicatriz, que será permanente.
Todos os esforços serão feitos para torná-la o menos evidente possível. Uma técnica apurada e cientificamente aceita poderá colaborar no sentido de minimizar diversas dessas situações. A colaboração plena do paciente, através do seguimento das instruções dadas pelo cirurgião, no pós-operatório também reveste-se de grande importância na obtenção do resultado.
As cicatrizes são consequência da cirurgia, portanto pondere bastante quanto à conveniência de conviver com elas após a cirurgia: elas nada mais são do que indícios deixados em lugar de outro defeito anteriormente existente na região operada. Se houver uma evolução desfavorável da cicatriz, desde que a intervenção tenha sido realizada sob padrões técnicos, cientificamente aceitos, deverá ser investigado se o seu organismo é que não reagiu como se esperava.
Outro fator importante quanto às cicatrizes e a sua evolução: três períodos caracterizam o processo de maturação de uma cicatriz (períodos esses que poderão variar de tempo, dependendo de fatores individuais como: a região operada, espessura da pele, substâncias tóxicas, hormônios etc). O período imediato vai até o 30° dia até o 8° ou 12° mês; o período tardio, após o 12° mês. Apesar da maioria já apresentar cicatrizes maduras nos 12 primeiros meses, alguns pacientes apresentam modificações do aspecto cicatricial até mesmo após o 18° mês.
É importante o esclarecimento, ainda, sobre os seguintes pontos:
a) Poderá haver inchaço na área operada que, eventualmente, permanecerá por semanas, menos frequentemente por meses e, apesar de raro, poderá ser permanente.
b) Poderá haver alteração da pigmentação cutânea com aparecimento de manchas ou descoloração nas áreas operadas que poderão permanecer por alguns dias ou semanas, menos frequente por meses e raramente permanentes.
c) A ação solar ou a iluminação fluorescente poderão ser prejudiciais, no período pós-operatório.
d) Poderá haver líquidos, sangue e/ou secreções acumulados nas áreas operadas, requerendo drenagem e/ou curativos cirúrgicos e/ou revisão cirúrgica em uma ou mais oportunidades.
e) Poderá haver áreas de pele, em maior ou menor extensão, com perdas de vitalidade biológica, por redução da circulação sanguínea, acarretando alterações, podendo levar a ulcerações e até necrose de pele, que serão reparáveis através de curativos ou até em novas cirurgias, objetivando resultado o mais próximo possível da normalidade.
f) Poderá haver áreas de perda de sensibilidade nas partes operadas. Tais alterações poderão ser parciais ou totais por um período indeterminado de tempo e, apesar de raro, poderão ser permanentes.
g) Poderá haver dor ou prurido (coceira, ardor) no pós-operatório em maior ou menor grau de intensidade por um período de tempo indeterminado.
h) Ocasionalmente, poderá haver transtornos do comportamento afetivo, em geral, na forma de ansiedade, depressão ou outros estados psicológicos mais complexos.
i) É certo que tabagismo, uso de tóxicos, drogas e álcool são fatores que, eventualmente, não impedem a realização de cirurgias, mas podem determinar complicações pós-operatórias.
j) É sabido que durante a ato operatório existem aspectos que não podem ser previamente identificados e, por isso, eventualmente necessitarão de procedimentos adicionais ou diferentes daqueles inicialmente programados.
l) Caso haja necessidade de cirurgias complementares para melhorar o resultado obtido ou corrigir um insucesso eventual, está claro que os custos de material da instituição hospitalar e de anestesia não são responsabilidade do cirurgião e sim do paciente, mesmo quando não se estabeleçam honorários profissionais.
Perguntas frequentes
1) Quantos quilos vou emagrecer com a plástica abdominal?
Sendo uma cirurgia que retira determinada quantidade de pele e gordura, evidentemente haverá uma redução no peso corporal, que varia de acordo com o volume do abdômen de cada paciente. Não são, entretanto, "quilos" retirados que definirão o resultado estético, mas sim as proporções que o abdômen mantenha com o restante do tronco e os membros. A maioria das mulheres apresentam flacidez do abdômen após um ou vários partos, com predominância de pele sobre a quantidade de gordura localizada na região. Esses casos nos permitem melhores resultados. Se o paciente está com o peso acima do normal, o resultado também será compensatório e proporcional ao restante do corpo, entretanto, vale lembrar que "excesso de gordura" em outras regiões vizinhas do abdômen ainda existirão, o que nos leva a aconselhar àquelas que assim se apresentem a prosseguir com um tratamento complementar, seja por lipoaspiração ou mesmo clínico/fisioterápico, para equilibrar as diversas partes entre si. A diástase da musculatura abdominal (aquele abaulamento na região central do abdômen) é tratada simultaneamente à cirurgia da dermolipectomia abdominal.
2) Como ficarão as cicatrizes?
A cicatriz resultante de uma dermolipectomia localiza-se horizontalmente logo acima da implantação dos pelos pubianos, prolongando-se lateralmente em maior ou menor extensão, dependendo do volume do abdômen a ser corrigido. Essa cicatriz é planejada para ficar disfarçada sob as roupas íntimas e passará por vários períodos de evolução, como se segue:
a) Período imediato: vai até o 30º dia e apresenta-se com aspecto pouco visível. Alguns casos apresentam discreta reação aos pontos ou ao curativo.
b) Período mediato: vai do 30º dia até o 12º mês. Nesse período, haverá espessamento natural da cicatriz, bem como mudança de sua cor. Essa fase é a menos favorável da evolução cicatricial, mas como não podemos apressar o processo natural da cicatrização, recomendamos às pacientes que aguardem, pois o período tardio se encarregará de diminuir os vestígios cicatriciais.
c) Período tardio: vai do 12º ao 18º mês. Nesse período, a cicatriz começa a tornar-se mais clara e menos consistente atingindo, assim, o seu aspecto definitivo. Qualquer avaliação do resultado definitivo da cirurgia do abdômen deverá ser feita após esse período. Raros casos ultrapassam esse período para atingir a maturação definitiva da cicatriz.
Algumas pacientes podem apresentar tendência à cicatrização inestética (cicatriz hipertrófica e quelóide). Esse fato deverá ser discutido, durante a consulta inicial, bem como suas características familiares. Pessoas de pele clara tendem a desenvolver menos esse tipo de cicatrização.
3) Existe correção para cicatrizes hipertróficas?
Vários recursos clínicos e cirúrgicos nos permitem melhorar tais cicatrizes inestéticas, na época adequada. Não se deve confundir, entretanto, o "período" da cicatrização normal (do 30° dia até o 12º mês) como sendo uma complicação cicatricial. Qualquer dúvida a respeito da sua evolução deverá ser esclarecida com seu médico.
4) Em quanto tempo atingirei o resultado definitivo?
Na resposta anterior foram feitas algumas ponderações sobre o novo abdômen, no que tange à sua consistência, sensibilidade, volume, etc. Nos primeiros meses, o abdômen apresenta uma insensibilidade relativa, além de estar sujeito a períodos de "inchaço", que deverão regredir espontaneamente. Nessa fase, o abdômen poderá ficar com aspecto de "esticado" ou "plano". Com o decorrer dos meses, tendo-se iniciado os exercícios, vai-se gradativamente atingindo o resultado definitivo. Não se deve considerar como definitivo qualquer resultado antes de 12 a 18 meses pós-operatórios.
5) Será feito um novo umbigo?
Não. Seu próprio umbigo será transplantado e, se necessário, remodelado. Deve-se levar em conta que, circundando o umbigo, existirá uma cicatriz que sofrerá a mesma evolução da cicatriz inferior. Várias técnicas existem para a reimplantação do umbigo. Todas elas são passíveis de futuras revisões cirúrgicas, caso venha ser necessário.
6) A dermolipectomia abdominal corrige o excesso de gordura sobre a região do estômago?
Nem sempre. Isso depende do seu tipo de tronco (conjunto tórax + abdômen). Se ele for do tipo curto, será corrigido parcialmente. Sendo do tipo longo, o resultado será mais favorável. Também tem grande importância, sob esse aspecto, a espessura do panículo adiposo (espessura da gordura) que reveste essa área do corpo.
7) A gravidez posterior a cirurgia altera o resultado?
O seu ginecologista lhe orientará melhor sobre a conveniência da nova gravidez. Quanto ao resultado, não se pode prever, é aconselhável que se tenha a prole já definida antes da plástica abdominal.
8) O pós-operatório da dermolipectomia abdominal é muito doloroso?
As dermolipectomias geralmente não apresentam dor intensa. Eventuais incômodos podem ser resolvidos com a utilização de analgésicos comuns.
9) Há perigo nessa operação?
Todo ato médico inclui no seu bojo um risco variável e a cirurgia plástica, como parte da Medicina, não é exceção. Pode-se minimizar o risco, preparando-se convenientemente cada paciente, mas não eliminá-lo completamente. Entretanto, é importante levar em conta que grandes volumes retirados poderão variar o risco. É consenso da Sociedade de Brasileira de Cirurgia Plástica que o volume total a ser retirado não ultrapasse de 5 a 7% do peso corporal em cada procedimento.
10) Qual o tipo de anestesia utilizada?
Anestesia local, geral, peridural ou associada, a critério da equipe cirúrgica (cirurgião e anestesista).
11) Quanto tempo dura o ato cirúrgico?
Tanto quanto o caso demandar. Entretanto, o tempo de ato cirúrgico não deve ser confundido com o tempo de permanência do paciente no ambiente de centro cirúrgico, pois essa permanência envolve também o período de preparação anestésica e recuperação pós-operatória.
12) Qual o período de internação?
De um a três dias.
13) Quando tomarei banho completo?
Geralmente, após dois a três dias, ou após a retirada do curativo, assistido por outra pessoa capacitada.
14) São utilizados curativos?
Sim. Curativos elásticos especiais, trocados periodicamente pela equipe médica.
15) Quando são retirados os pontos?
A retirada dos pontos poderá ser iniciada em torno do 8º dia, podendo ser feita de maneira seletiva, nos dias que seguem. Raramente a retirada total passa de duas semanas.
16) Qual a evolução pós-operatória?
Até que se atinja o resultado almejado, diversas fases são características desse tipo de cirurgia. Assim, o resultado final depende da evolução das cicatrizes e das modificações temporais próprias do abdômen, bem como à sensibilidade e consistência. O tempo e o seu organismo se encarregarão de dissipar pequenos transtornos. Toda e qualquer preocupação da sua parte deverá ser transmitida ao seu cirurgião que lhe prestará os esclarecimentos complementares necessários. Um curto período de depressão emocional poderá ocorrer nas primeiras semanas, devido ao aspecto transitório e geralmente advém da ansiedade de se atingir o resultado final. Lembre-se de que nenhum resultado de cirurgia de abdômen pode ser considerado antes de pelo menos 12 meses.
Cuidados pré-operatórios:
1) Obedecer às instruções dadas para a internação.
2) Comunicar qualquer anormalidade que eventualmente ocorra, quanto ao estado geral de saúde.
3) Na eventualidade de se optar pela anestesia geral, ir "em jejum absoluto" de no mínimo 8 horas e não levar objetos de valor para o hospital.
4) Ir acompanhada para a internação.
5) Evite uso de brincos anéis, alianças, piercings, esmaltes coloridos nas unhas, etc.
- Procedimentos pós-cirurgia
1) Evitar esforço por 14 dias.
2) Levantar-se tantas vezes quanto lhe for recomendado por ocasião da alta hospitalar, obedecendo aos períodos de permanência sentado, assim como evitar esforços máximos.
3) Não se expor ao sol ou friagem, por um período mínimo de 14 dias.
4) Obedecer à prescrição médica.
5) Voltar ao consultório para os curativos subsequentes, nos dias e horários estipulados.
6) Andar curvada, com ligeira flexão do tronco, e manter passos curtos, por um período de 10 a 15 dias.
Obs: De acordo com a Resolução Federal de Medicina nº 1.701/2003 é vedado ao médico expor figura de paciente ainda que com autorização expressa do mesmo.
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